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A Fuga de Rigel

Autor: DIOGO DE SOUZA
Editora:
EDITORA ISIS
ISBN: 97885888886339
Ano de Publicação: 2008
Editora: Isis
Formato: 14 x 21
Paginas: 264

Site do Livro: http://www.fugaderigel.com.br/

Lendo o nome e vendo a capa até dá pra se enganar, acreditando ser um homem adulto fugindo da cadeia ao melhor estilo Pappilon. Mas é um pouco distante disso.

A idéia é boa: cercado de pessoas aparentemente normais que demonstram um potencial acima da média está o jovem Rigel, um poderosíssimo paranormal de doze anos que foge da escola onde mora, saindo em uma busca por seu passado.
Podemos identificar em meio a toda fantasia algumas situações plausíveis, como a total falta de ética dos profissionais do colégio, a vontade de Rigel em descobrir quem é de verdade – algo que se vê em muitos jovens que estão entrando na adolescência, época cheia de dúvidas e conflitos, etc…

De um lado está sua antiga vida com sua família, uma vida boa e tranquila; do outro sua vida atual, com os colegas de classe, professores, estudos e superação de limites. Vida essa que o afasta de todos os outros “pobres mortais”. Um garoto dividido entre os dois mundos, não pertencendo mais a nenhum.

O problema é que nessa trama cheia de informações há uma porção de pontas soltas, coisas simplesmente inexplicáveis e sem sentido (como por exemplo – Para que eles retiram os jovens do convívio de seus pais quando bebês, treinam suas pequenas mentes e os fazem dominar seus poderes se em nenhum momento eles dão a entender algum plano pro futuro? As únicas pessoas  que cresceram ali  e usam os poderes o fazem para esconder a Cosmos e pegar mais crianças, não usam pra mais nada… Nenhum plano de domínio do planeta, nem revolução na indústria e muito menos vigilantes, já que odeiam os seres humanos comuns…), passando também por cenas absolutamente previsíveis – incluindo o fim do livro, que é um problema à parte.

A sensação que ficou ao terminar a leitura foi a de que o autor teve uma idéia e resolveu torná-la livro, mas a pressa em publicar o impediu de fazer uma revisão detalhada para certificar-se de que tudo havia sido dito. Tem descrições exageradas de pontos desnecessários e falta carinho e cuidado com partes cruciais.

O vilão e o mocinho são típicos estereótipos. Só falta o vilão usar preto e o mocinho branco. Mas ao término da história, embora ao longo dela não tenha aparecido nenhum sinal de duvida ou arrependimento por parte de Rasalas ou Achernar – deixando bem claro que o malvado mente, engana, rouba, mata e o bonzinho cuida, protege, tenta libertar os outros, etc, o tempo todo no desenrolar do livro – tem uma reviravolta em tudo que quebra o clima. Deixa uma pergunta no ar. “Pra que ele fez isso?”

Se o intuito é deixar o personagem humano, dar margem pra essa dualidade – isso que há em todo mundo de que por mais que se use máscaras, um dia elas caem – plante aqui e ali a sementinha da incerteza. Explore todos os motivos, as angústias, o que o levou a ser mal ou porque finge ser bom. Foi isso que faltou. Um final do tipo “Você decide” nem sempre funciona bem.

Recomendo a leitura para quem não se importa em colocar a imaginação em funcionamento pra preencher lacunas, e para quem não tem problemas com previsibilidade.

Nota de 0 a 10: 5



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